Boiadeiros

boiadeiros

Os boiadeiros são espíritos que trazem a experiência de quem vive seus dias olhando por sua boiada, com muita atenção, foco e certeza. São aguerridos, demandadores e rigorosos quando tratam com espíritos trevosos, mas ao mesmo tempo são doces também.

O símbolo dos boiadeiros é o laço e o chicote, que são suas armas espirituais, tal como são as espadas, as flechas e outras “armas” para os Guias de outras linhas quando atuam contras as investidas do baixo-astral. Os Boiadeiros representam a própria essência da mistura do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

Da mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a liberdade, a certeza e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com força e fé muito grandes.

Com suas armas vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e os con­sulentes. A corda é usada com sabedoria para laçar o “boi brabo”, ou para “pegar aquele que se afasta da boiada”, ou ainda usada para “derrubar o boi para abate”. Dentro do campo mediúnico, os boiadeiros fortalecem o médium, abrindo a porta para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus.

Na linguagem dos Boiadeiros, “boi” é o próprio ser humano em desequilíbrio. Ou seja, são os espíritos encarnados e os desencarnados em desequilíbrio perante a Lei Maior, necessitados de auxílio. Suas referências a cavalos, a tocar a boiada, a laçar e trazer de volta “o boi” desgarrado do rebanho. têm a ver com o trabalho realizado pelos destemidos Boiadeiros de Umbanda: eles resgatam os espíritos que se rebelaram contra a Lei Divina, pois esses espíritos são como “bois e cavalos” que não aceitam os “cabrestos” ou limites criados pela Lei de Deus e que por isso precisam ser “domesticados” e educados.

Eles nos ensinam a força que o trabalho tem e que o principal elemento de sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta.

Cor: Marrom
Atuação: Abertura de caminhos, combate a espíritos trevosos, limpeza dos campos magnéticos
Ferramentas/Oferendas: Laço (corda), lenço, chapéu, berrante, chifre, chapéu de couro, chicote, corda, ferradura
Guia: Em geral: miçangas leitosas marrom ou couro trançado
Flores/Ervas: cravos vermelhos, rosas vermelhas e amarelas; flores vermelhas e amarelas em geral; eucalipto, arruda, folha de bambu, babosa, quebra-demanda, espada de São Jorge, casca de alho, pinhão roxo, casca de cebola, anis estrelado.
Local: Encruzilhadas, estradas de terra, porteiras
Comemoração: 17 de Agosto
Saudação Boiadeiro: “Geduê! Getruá Boiadeiro!”